CEP - Controle Estatístico de Processo
Outubro/2012
Certificando a Gestão Ambiental

Com as questões ambientais na ordem do dia, o conceito de Qualidade tem sido alargado a todas as vertentes da atividade das empresas, entre as quais se inclui a proteção do Ambiente.

As organizações estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho ambiental positivo através do controle do impacto causado pelas suas atividades, produtos ou serviços no ambiente. Esta determinação deve-se, principalmente, ao aumento de legislação limitadora, ao desenvolvimento da política econômica e de medidas para atingir a proteção ambiental e à motivação concorrencial.

As vantagens da certificação ambiental, obtida como conseqüência da correta implementação de algumas normas reconhecidas, são várias. A certificação evidencia a qualidade dos processos organizacionais e tecnológicos de um ponto de vista da sua conformidade com requisitos de proteção ambiental e de prevenção da poluição. De fato, a certificação credibiliza interna e externamente a qualidade dos produtos ou serviços do ponto de vista ambiental, assegurando aos agentes econômicos o cumprimento das normas, o que se traduzirá numa vantagem competitiva.

Mas devemos buscar certificações somente para obtermos vantagem competitiva?

A Terra já demonstra seus sinais de socorro, pois tanto o ecossistema como as comunidades humanas mais dependentes do clima já estão sendo duramente castigadas, direta ou indiretamente pela poluição massiva e outros grandes impactos ambientais, todos causados pelo abuso e ignorância do homem sobre sua capacidade de transformar a natureza. Uma das conseqüências mais graves e que agora está em evidência tem sido o aquecimento global, causado pelo crescente acúmulo na atmosfera de gases como o dióxido de carbono, o metano, o óxido de azoto e os CFCs.

No relatório Mudança climática 2001: impactos, adaptação e vulnerabilidade, elaborado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), um grupo de cientistas comissionados pela ONU para estudar o aquecimento do planeta, está claro que mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global terão efeitos devastadores: ilhas tropicais e estações de esqui nos Alpes desaparecerão, tanto as inundações como a falta de água aumentarão, a produtividade agrícola cairá e os países em desenvolvimento serão as principais vítimas. O relatório ainda demonstra que as perdas econômicas globais das chamadas catástrofes naturais aumentaram de cerca de 4 bilhões de dólares por ano na década de 1950 para 40 bilhões de dólares em 1999. O custo total é, na realidade, duas vezes mais alto, se forem levados em conta os eventos menores relacionados ao clima.

E então, caro leitor, qual seria sua escolha quanto às duas vertentes do pensamento da certificação ambiental, vantagem competitiva ou verdadeiro compromisso com o meio ambiente?

Se você pensa de outra forma, saiba que para combater este problema, somente com um processo de gestão ambiental sistêmico, em todos os níveis das atividades humanas, pode-se tentar amenizar o problema ambiental de maneira global. Deve-se entender um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) como o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações e procedimentos para proteger a integridade do meio físico e biótico, bem como a dos grupos sociais que dele dependem. Isso inclui, também, o monitoramento e o controle de elementos essenciais à qualidade de vida, em geral, e à salubridade humana, em especial. Suas atividades envolvem o monitoramento, o controle e a fiscalização do uso dos recursos naturais, bem como o processo de estudo, avaliação e eventual licenciamento de atividades potencialmente poluidoras. Envolve, também, a normalização de atividades, definição de parâmetros físicos, biológicos e químicos dos elementos naturais a serem monitorados, assim como os limites de sua exploração e/ou as condições de atendimento dos requerimentos ambientais em geral.

As empresas vêm adotando a norma ISO 14001 como padrão para estabelecer seus SGAs. Ela define como objetivo: implementar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental; assegurar-se de sua conformidade com sua política ambiental definida; demonstrar tal conformidade a terceiros; buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma organização externa; e realizar uma auto-avaliação e emitir autodeclaração de conformidade com a norma. Os fundamentos para adotar e praticar a gestão ambiental são vários: desde procedimentos obrigatórios de atendimento da legislação ambiental até a fixação de políticas ambientais que visem à conscientização de todo o pessoal da organização.

    Fonte:
  • Hayrton Rodrigues do Prado Filho - Revista Banas Qualidade nº 162 Nov/2005 - Pág. 29
  • Luís Ramalho da Cunha - http://www.cev.pt/noticias.htm

doutorcep@datalyzer.com.br
Série “As Sete Ferramentas do Controle da Qualidade” - 7FCQ

Olá amigos, estamos iniciando um novo ano trazendo uma série que abordará de forma breve sobre as Sete Ferramentas Básicas do Controle da Qualidade, cujo pai foi Kaoru Ishikawa, um engenheiro de controle de qualidade. Nasceu em 1915. Licenciou-se em Química aplicada pela Universidade de Tóquio, após a II Guerra Mundial impulsionou a formação da JUSE, Union of Japonese Scientists and Engineers, promotora da qualidade no Japão. Seus estudos são bastante importantes na gestão da qualidade. Tendo obtido as primeiras noções de qualidade com os norte-americanos, estudou a evolução do processo de industrialização, e desenvolveu sua teoria para o Japão, incluindo AS 7FCQ, um conjunto de ferramentas criadas por ele visando ao controle de processos, lidando principalmente com dados numéricos e que resolvem muitos problemas que aparecem no início da implantação do GQT. São úteis nas fases D e C do Ciclo PDCA. São: - Gráfico de Pareto; - Diagrama de Causa e Efeito; - Estratificação; - Folha ou Lista de Verificação; - Histograma; - Diagrama de Dispersão e Gráficos de Controle.

1ª Ferramenta - GRÁFICO DE PARETO

Problemas relativos à qualidade aparecem sob a forma de perdas (itens defeituosos e seus custos). É extremamente importante esclarecer o modo de distribuição destas perdas. O Gráfico de Pareto surge exatamente como ferramenta ideal para identificar quais itens são responsáveis pela maior parcela das perdas onde quase sempre são poucas as “vitais” e muitas as “triviais”. Então se os recursos forem concentrados na identificação das perdas “vitais”, e estas puderem ser identificadas, torna-se possível a eliminação de quase todas as perdas, deixando as “triviais” para solução posterior.

Orientações para construção do gráfico:
  1. Determinar como os dados serão classificados: por produto, máquina, turno, operador.
  2. Construir uma tabela, colocando os dados em ordem decrescente.
  3. Calcular a porcentagem de cada item sobre o total e o acumulado.
  4. Traçar o diagrama e a linha de porcentagem acumulada.

Exemplo:
A - Durante um período de seis meses, a produção de filme de polietileno de baixa densidade (PEBD) foi acompanhada, anotando-se os defeitos encontrados: B - Depois de anotados os defeitos foi construída a tabela abaixo dispondo-os em ordem decrescente.
C - Foi calculada a percentagem de cada defeito sobre a % total e a % acumulada.
Defeito Quantidade de bobinas
Micro furos 5
Opacidade 67
Espessura maior 43
Espessura menor 182
Largura Incorreta 30
Adesão entre faces 130
Grumos 9
Outros 19
Defeito Quantidade % do Total % Acumulada
Espessura menor 182 37,5 37,5
Adesão entre faces 130 28,8 64,3
Opacidade 67 13,8 78,1
Espessura maior 43 8,9 87,0
Largura Incorreta 30 6,2 93,2
Grumos 9 1,9 95,1
Micro furos 5 1,0 96,1
Outros 19 3,9 100,0
Total 485 100 100
Tabela 1 Tabela 2
D – Usando-se os dados da Tabela 2, trace o diagrama e a linha de porcentagem acumulada sobre um plano quadriculado.
fig2.gif fig3.gif
Figura 2 Figura 3

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A Figura 3 apresenta um exemplo de janela de criação/edição de uma carta do tipo atributo, onde foram definidos os tipos de defeitos e seus respectivos custos.

Na Figura 4 vemos o resultado final do nosso esboço, gerado a partir da entrada dos dados acima, que nos fornece um feedback em tempo real e muito mais interação que se comparado a uma simples folha de papel.

fig4.gif

Figura 4

Bom trabalho e até a próxima edição!
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