CEP - Controle Estatístico de Processo
Ano IV - Nº 44 - Agosto/2007
Valorização do Ambiente de Trabalho

Ao iniciar uma empresa, deseja-se produzir com QUALIDADE. Os empreendedores acreditam piamente que os seus clientes irão reconhecer esta QUALIDADE na hora da compra e até mais, acreditam que a fidelidade do cliente estará garantida ao se efetuar uma venda. Mas nem sempre é assim...

Focar apenas a QUALIDADE do produto é importante, mas não o suficiente. É preciso muito mais, como, criar um ambiente organizacional harmonioso, limpo, ajustado às condições do empreendedor e da empresa. O ambiente organizacional harmonioso depende fundamentalmente das pessoas e da sua disciplina com relação ao ambiente que se queira dentro da empresa.

Portanto, a tarefa mais importante do empreendedor é de motivar seus funcionários - recurso mais valioso que a empresa possui - a darem o melhor deles. Cabe a ele inspirar cada colaborador a empregar um alto padrão de QUALIDADE pessoal. Os funcionários devem ser convencidos de que não é apenas a empresa que se beneficiará se fizerem um bom trabalho, os benefícios serão para todos.

Para que uma empresa mobilize a energia, faça emergir a criatividade e a iniciativa de seus funcionários, é necessário que se crie uma cultura comum, disposta a aceitar mudanças. O melhor ponto de partida para o desenvolvimento da QUALIDADE em uma empresa é o desempenho e a atitude de seus funcionários em direção à QUALIDADE.

A QUALIDADE depende de ambientes limpos, organizados e saudáveis para acontecer. Se a sua empresa ainda não é assim, por que não começar a transformação a partir de agora?

Faça uma pequena reunião com os e relacione o que está desorganizado, como pode ser arrumado e quando isso deverá ser feito! Além disso, utilize as seguintes frases para iniciar essas mudanças:

O que não serve, só atrapalha! Queremos dizer que se você jogar fora, vender ou doar o que não serve para nada, acabará conseguindo mais espaço útil para suas atividades. Tomamos como exemplo, um galpão, seu espaço é nobre, caro demais para o empreendedor, não podendo ser desperdiçado para guardar lixo.

Uma coisa em cada lugar e um lugar para cada coisa! QUALIDADE, disciplina e organização sempre andam juntas. Ensine seus colaboradores a manterem a organização da empresa, guardando o que já foi usado, sempre no lugar determinado logo após a utilização. Vale lembrar que ensinar exige dedicação e persistência, logo não espere mudanças de comportamento do dia para a noite.

A primeira impressão é a que fica! Enxergue sua empresa com os olhos de seu cliente; qual seria a reação dele ao ver o que você está vendo? A limpeza e conservação das instalações e equipamentos, bem como a higiene pessoal dos colaboradores sempre se reflete na QUALIDADE de seus produtos e serviços.
Seus funcionários são o primeiro contato que seus clientes têm com sua empresa e a razão pela qual continuarão a realizar negócios com você.

Saúde é fundamental! Tenha sempre em mente os cuidados com a sua própria integridade física e a de seus colaboradores. Condições de iluminação, ventilação, postura física, entre outros, alteram tanto a QUALIDADE do trabalho bem como a produtividade.
QUALIDADE sempre foi um grande diferencial competitivo. Hoje, além disso, é uma exigência de mercado e uma obrigação da empresa!

Seus funcionários fazem a diferença! Os esforços e desempenho destes funcionários determinam a percepção que o cliente tem sobre a QUALIDADE de sua empresa, uma empresa de QUALIDADE tem clientes satisfeitos. Clientes satisfeitos se traduzem em melhores resultados financeiros e em aprimoramento da imagem, propiciando um futuro brilhante e sustentável.
Pergunta: Como uma empresa pode fornecer produtos e serviços com QUALIDADE se seus colaboradores não conhecem essa QUALIDADE dentro da própria empresa?

Fonte: Série Saiba Mais – Sebrae, 2004.

doutorcep@datalyzer.com.br
Análise de Cartas de Controle

Muitas vezes coletamos os dados, criamos a carta de controle, porém não sabemos analisar essa ferramenta essencial para o controle estatístico de processo.

Werkema(1995b, p. 209-212) sugere uma seqüência de passos para análise das cartas de controle:

1) Construir limites de controle experimentais após a coleta de dados segundo o Plano de Amostragem;

2) Verificar se todos os pontos estão dentro dos limites de controle e nenhuma configuração aleatória está presente. Se essas duas condições forem satisfeitas, pode-se afirmar que o processo está sob controle estatístico, e o próximo passo é avaliar a capacidade do processo.

3) Caso haja pontos fora dos limites de controle e/ou alguma configuração não-aleatória, pode-se concluir que o processo está fora do estado de controle estatístico. Neste caso, devem ser identificadas as causas especiais que causaram cada ponto. Após isso, esses pontos devem ser eliminados da amostragem, novos limites experimentais devem ser calculados e a análise deve ser realizada novamente. Esses passos devem ser executados até que se conclua que o processo está fora ou sob controle estatístico. Em alguns casos, se os passos forem executados continuamente, podem restar poucos pontos para análise, o que diminui a representatividade do processo. A solução nesses casos é coletar novas amostras e reiniciar a análise.

Encontrar os pontos fora dos limites de controle é uma tarefa fácil, mas identificar configurações não-aleatórias é uma tarefa que gera muitas dúvidas. Para esclarecê-las, mostraremos logo abaixo os padrões apresentados por Werkema (1995, P. 218-222).
Os padrões de referência relativos às configurações não-aleatórias foram estabelecidos para facilitar a detecção de variações relativas a causas especiais. Esses padrões foram elaborados a partir das propriedades da distribuição normal, através de regras estatísticas relativamente simples.

a) Pontos fora dos limites de controle

É uma das formas mais evidentes da falta de controle estatístico de um processo. Neste caso, as causas especiais podem estar relacionadas a dados gerados por procedimentos incorretos de coleta de dados ou equipamentos descalibrados.

b) Seqüência

O principal padrão de seqüência é quando 7 ou mais pontos consecutivos aparecem em apenas um dos lados, abaixo ou acima, da linha média.

As seqüências são mais difíceis de serem detectadas, pois é necessário analisar se as causas especiais que ocorrerem no processo irão melhorá-lo ou prejudicá-lo. Geralmente, as seqüências estão relacionadas a mudanças significativas no processo, causadas por matéria-prima, mudanças de equipamentos, alterações de procedimentos operacionais, etc.

c) Periodicidade

A periodicidade é uma configuração detectável a longo prazo. Os pontos são distribuídos no gráfico como uma curva que apresenta uma tendência alternada para cima e para baixo. Essa variação pode ser associada, por exemplo, à rotatividade de operadores.

d) Tendências

Uma tendência pode ser detectada por 7 ou mais pontos, ascendentes ou descendentes. Algumas causas dessa configuração são: desgaste de ferramentas, mudança nas condições ambientais (temperatura, umidade, pressão, etc).

e) Aproximação dos limites de controle

Essa configuração é caracterizada por 2 ou mais pontos fora dos limites 2-sigma da carta de controle. As aproximações dos limites de controle são típicas de grandes ajustes no processo. Isso ocorre quando os operadores tentam ajustar o processo frequentemente de acordo com as causas comuns, e não as especiais.

f) Aproximação da média

Essa configuração é perigosa, pois apesar de aparentar estabilidade, pode representar instabilidades do processo.

As configurações exibidas anteriormente são válidas para todas as cartas de controle convencionais: X-R, X-S, carta p, carta np, carta c e carta u. No caso da carta X-AM, a única configuração válida é a existência de pontos fora dos limites de controle, pois os pontos nesta carta guardam uma correlação entre si.

Outro ponto a ser observado é que esses padrões não serão regras para todos os processos, pois, em um determinado processo, 7 pontos consecutivos podem ser considerados normais.

Até a próxima edição!

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