CEP - Controle Estatístico de Processo
Ano V - Nº 53 - Maio/2008
Utilização indicada para as medidas do processo

A chave para o uso eficaz de qualquer medida do processo contínua a ser o nível de compreensão do que realmente a medida representa. Aqueles na comunidade estatística que geralmente se opõem, por exemplo, em como estão sendo utilizados os números Cpk são rápidos para mostrar que poucos processos do "mundo real" satisfazem completamente todas as condições, suposições e parâmetros dentro do qual o Cpk foi desenvolvido.

O Conceito da função Perda

A força guiadora através de como os índices de capabilidade (e outras medidas do processo) têm sido utilizados, tem sido o desejo compreensível de produzir todas as peças dentro das especificações de engenharia. O conceito subordinado servindo como motivação deste desejo é o raciocínio de que todas as peças dentro do intervalo da tolerância, são "boas" (ou aceitáveis), e que todas as peças além das especificações, independentemente de quão longe além das especificações elas possam estar, são "ruins" (ou inaceitáveis). Profissionais da qualidade, algumas vezes, se referem a este conceito como o raciocínio "Postes do Gol".

Apesar deste modelo de raciocínio (bom/ruim) ter sido extensivamente usado no passado, recomenda-se outro modelo mais útil, por exemplo, um modelo que esteja bem mais próximo do comportamento do mundo real. Isto está representado. Este modelo, levam em geral, a forma de uma parábola e utiliza o princípio de que uma perda crescente quadrática (ao contrário da linear) incide sobre o cliente e/ou sociedade quanto mais longe uma característica particular ficar do alvo da especificação. Implícito neste conceito, designado como o conceito da função perda, está a suposição de que o propósito do projeto (alvo da especificação) é razoavelmente bem alinhado com o requisito do cliente.

Alinhamento do processo aos Requisitos - curvas

Alinhamento do processo aos requisitos do cliente

A função perda pode ser estabelecida para a característica do processo cuja distribuição está indicada. Além disso, assumindo uma pequena ou nenhuma variação no requisito do cliente (alvo da especificação), através da sobreposição da distribuição do processo sobre a curva da função perda do requisito do cliente, duas observações podem ser feitas:

  • Para minimizar perdas para o cliente, é desejável alinhar o processo (o centro do processo) com os requisitos do cliente (alvo da especificação).
  • É adicionalmente benéfico ao cliente se a variação em torno do valor é continuamente reduzida.

Esta análise é às vezes chamada de alinhar a "Voz do Processo" com a "Voz do Cliente". Deveria ser notado que apesar de nenhuma variação ser assumida na "Voz do Cliente" para este exemplo, a "Voz do Cliente" (alvo da especificação) varia no mundo real e isto mais adiante complica a obtenção da verdadeira satisfação do cliente para um dado processo.

Finalmente, quando uma estimativa transformada das perdas é gerada considerando a distribuição real das peças sendo produzidas por este processo, em conjunção com a perda sendo gerada por este processo, pode ser mostrado que, neste caso, aproximadamente 45% apenas da perda total para o cliente está sendo levada em conta pelas peças além da especificação, enquanto a perda restante está vindo das peças dentro da especificação, mas não do alvo. Isto fortemente sugere que o raciocínio "Postes do Gol", ou seja, a percentagem de peças "Ruins" (peças além da especificação), em geral ou dela mesma, não fornece uma apreciação correta para a compreensão do efeito que o processo realmente está tendo sobre o cliente.

Aplicação das Medidas do Processo

Pelas razões discutidas nos parágrafos anteriores, e assumindo que as condições listadas tenham sido atendidas, o seguinte é sugerido, relativo à utilização das medidas do processo para melhorar a compreensão e a efetiva melhoria contínua dos processos:

  • Nenhum índice ou taxa individual deveria ser utilizado para descrever um processo; além disto,
  • Dois ou mais índices ou taxas deveriam ser visualizados coletivamente - No mínimo a combinação de Cp e Cpk, Pp e Ppk, CR e Cpk, ou PR e Ppk, por exemplo, deveriam ser usados; e
  • É fortemente recomendado que sejam utilizadas análises gráficas em conjunção com as medidas do processo. Exemplos de tais análises incluem a carta de controle, projeções da distribuição estimada do processo, análise gráfica da função perda tais como aquelas mostradas na figura acima, etc. Além disso, particularmente para processos instáveis, pode ser útil também colocar em um gráfico a variação inerente do processo contra a variação total do processo, e/ou SigmaR barra / d2 e Sigmas para se obter uma apreciação preliminar da distância entre a "capabilidade" e o "desempenho" do processo e para buscar as melhorias. Geralmente, o tamanho desta distância é uma medida de quanto um processo está fora de controle, mesmo embora em processos instáveis, dependendo do grau de instabilidade, existe respectivamente mais variabilidade e incerteza nas estimativas (SigmaR barra / d2 e Sigmas) do processo do que para processos estáveis. Estes tipos de análises gráficas deveriam ser feitas para melhor compreensão do processo mesmo se as medidas do processo (i.e. Cp/Cpk, etc.) não estão sendo calculadas e/ou utilizadas.
  • Para melhorias contínuas do processo, as medidas do processo deveriam ser utilizadas com o pensamente de continuamente tentar combinar a "Voz do Processo" com a "Voz do Cliente", com uma perda mínima para o cliente.

Uma precaução final é de que toda avaliação da capabilidade deveria ser confiada a uma única característica do processo. Nunca é apropriado combinar ou tirar a média dos resultados da capabilidade de diversos processos englobando-os num único índice.

Espera-se que a aplicação das medidas do processo integrada a toda esta estrutura possa fornecer algumas das informações necessárias para alcançar um verdadeiro aperfeiçoamento do processo em bases competitivas.

    Fonte:
  • Manual QS-9000

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